Homeopatia e a GRIPE de 1918: 50 homeopatas em sintonia
Revista do Instituto Americano de Homeopatia, Vol. XIII, n.º 11, maio de 1921, página 1038
Por W. A. Dewey, M.D., Universidade do Michigan
Tradução de Jean-Claude Ravalard

Introdução
Eis um artigo interessante publicado em «The Journal of the American Institute of Homeopathy», de 1921, sobre a gripe espanhola, que reúne as observações de cerca de cinquenta médicos homeopatas americanos após a epidemia de gripe. É bastante esclarecedor… Agradeço aqui a Julian Winston, que me enviou este artigo da sua biblioteca pessoal.
Os testemunhos
Numa fábrica com 8 000 trabalhadores, tivemos apenas um único óbito. Os doentes não faleceram devido ao uso indevido de medicamentos. O Gelsemium foi praticamente o único medicamento utilizado. Não recorremos à aspirina nem às vacinas.
— Frank Wieland, M.D., Chicago.
A ausência do tratamento habitualmente prescrito foi também um fator que contribuiu para o excelente resultado nesta fábrica.
— Burton Haseltine, M.D., Chicago.
Existe um medicamento que, direta ou indiretamente, foi responsável por mais mortes do que a própria gripe. Todos conhecem esse medicamento. É o ácido salicílico. A história da Aspirina já foi publicada. Hoje em dia, não sabem que o ácido salicílico tem uma ação calmante. É prejudicial de duas formas. A sua ação indireta deve-se ao facto de a aspirina ter sido administrada até ao esgotamento do doente, que acaba por desenvolver uma pneumonia.
— Frank L. Newton, M.D., Somerville, Massachusetts.
Não perdi um único caso de gripe; a minha taxa de mortalidade em casos de pneumonia foi de 2,1 %. Os salicilatos, incluindo a aspirina e a quinina, eram praticamente os únicos recursos da velha escola e era comum ouvir os alopatas dizerem que tinham 60 % de mortalidade nos casos de pneumonia.
— Dudley A. Williams, M.D., Providence, R.I.
Trezentos e cinquenta casos e apenas uma morte: uma pneumonia subestimada que me foi apresentada depois de o doente ter tomado cerca de cem grãos (antiga medida: 0,05 g, ou seja, 5 g de aspirina) de aspirina em 24 horas.
— Cora Smith King, M.D., Washington, D.C.
Dean W. A. Pearson, de Filadélfia, registou 26 795 casos de gripe tratados por médicos homeopatas, com uma taxa de mortalidade de 1,05 %, enquanto a taxa média de mortalidade era de 30 % entre os adeptos da velha escola.
A baixa taxa de mortalidade que registei em Camp Lee deveu-se exclusivamente ao facto de não ter utilizado aspirina de todo. Recebi os elogios do médico-chefe por ter registado a taxa de mortalidade mais baixa do hospital. Assim que o oficial médico-chefe constatou o efeito da aspirina no sangue e os resultados obtidos no meu serviço através da utilização da homeopatia, recomendou que se deixasse de utilizar a aspirina, e a taxa de mortalidade baixou muito rapidamente após essa decisão.
— Carleton A. Harkness, M.D., Chicago.

No Hospital Hahnemann, em São Francisco, os remédios homeopáticos tinham um efeito curativo, enquanto que, com as outras terapias, o resultado era meramente paliativo.
— Laura A. Hurd, médica, São Francisco.
Foram comunicados mil e quinhentos casos à Sociedade Médica Homeopática do Distrito de Columbia, com apenas quinze óbitos. A taxa de cura no Hospital Homeopático Nacional foi de 100 %.
— E. F. Sappington, M.D., Filadélfia.
Tratei mais de uma centena de casos sem registar qualquer óbito. Nunca me afastei do tratamento homeopático. Nunca prescrevi aspirina. Apenas um caso, ao qual tinha sido prescrita aspirina antes de eu assumir o seu tratamento e que me tinha sido encaminhado por um médico da velha guarda, faleceu. Esta epidemia deve levar-nos a renovar a nossa fé na homeopatia.
— G. H. Wright, M.D., Forest Glen, Maryland.
A aspirina alemã matou mais doentes do que os projéteis alemães.
— C. J. Loizeaux, M.D., Des Moines, Iowa.
Lembro-me da acetanilida durante a epidemia de 1889 e das mortes que causou. Nessa epidemia, eu sabia que a aspirina e os derivados do alcatrão de carvão matariam mais doentes do que a própria doença, e foi isso que aconteceu. Um médico da velha guarda disse-me que tinha percebido que a aspirina matava os seus doentes e que tinha deixado de a prescrever para voltar a confiar nos remédios homeopáticos e ecléticos.
— E. B. Finney, M.D., Lincoln, Nebraska.
Trinta médicos de Connecticut responderam ao meu pedido de informações. Referiram 6 602 casos, com 55 óbitos, ou seja, menos de 1 %. No serviço de transporte, registei 81 casos. Todos recuperaram e foram desembarcados. Todos receberam tratamento homeopático. Um navio perdeu 31 homens.
— H. A. Roberts, M.D., Derby, Connecticut.
A homeopatia salvou doentes com gripe associada a pneumonia; a toma de derivados do alcatrão de carvão, em particular a aspirina, resultou sempre numa evolução desfavorável.
— W. H. Hanchett, M.D., Omaha, Nebraska.
Em colaboração com a Associação Hahnemanniana Internacional, consegui reunir 17 000 casos de gripe com uma taxa de mortalidade de 4 %.
— G. B. Stearns, M.D., Nova Iorque.
Tive 300 casos e apenas uma morte; um bom médico homeopata teve 275 casos sem nenhuma morte. Sou responsável pela saúde pública da minha cidade. Um médico da velha guarda teve 294 casos e registou 15 mortes. A aspirina e a cal iodada eram os remédios utilizados pela velha escola.
— H. H. Crum, M.D., Ithaca, N.Y.
Tratei 455 casos de gripe e 26 de pneumonia, sem qualquer óbito. Remédios: Gelsemium, Bryonia, Apis, etc.
— T. G. Barnhill, M.D., Findlay, Ohio.
Foi salientada a importância dos remédios homeopáticos; 24 dos 42 casos que utilizaram as vacinas contraíram a gripe e registaram-se 8 casos de pneumonia, pelo que as vacinas falharam enquanto medida profilática.
— W. L. Love, M.D., Brooklyn.
Sete homeopatas relataram 3 600 casos, com 6 óbitos. Pela minha parte, tive 750 casos, com apenas um óbito. Gelsemium, Bryonia e Eupatorium foram os principais remédios.
— F. A. Swartwout, M.D., Washington, D.C.
Quanto mais se utilizavam a aspirina, a codeína, a solução de Dobell e alguns outros medicamentos não homeopáticos, mais lenta era a recuperação.
— James W. Ward, M.D., São Francisco.
A mortalidade do regimento foi de 25,8 % devido a pneumonias. O tenente responsável decidiu suspender a aspirina, a digitalina e a quinina, e a mortalidade baixou rapidamente para 15 % sem qualquer tratamento. Isto aconteceu num único pavilhão. Posteriormente, a mesma decisão foi tomada nos outros pavilhões e a mortalidade também desceu para 15 % sem qualquer medicamento.
— W. A. Pearson, M. D., Filadélfia.
Tratei 618 casos e registei 5 óbitos. Destes 5, 3 tinham recebido tratamento alopático.
— R. S. Faris, M.D., Richmond, VA.
Um médico num hospital de Pittsburgh perguntou a uma enfermeira se ela conhecia algum tratamento melhor do que aquele que ele praticava, pois estava a perder muitos doentes. «Sim, Doutor, pare de dar aspirina e vá a uma farmácia homeopática. » O médico respondeu: «Mas isso é homeopatia!» «Eu sei, mas os médicos homeopatas com quem trabalhei não perdiam nenhum doente.»
— W. F. Edmundson, M.D., Pittsburgh.
É raro que não se desenvolva uma pneumonia se for consultado um bom médico homeopata nas primeiras 24 horas após o início de um surto de gripe. A mortalidade alarmante resulta dos efeitos fatais de doses elevadas de aspirina, de preparações à base de salicilatos e de ópio.
— A. H. Grimmer, M.D., Chicago.
Murphy, de Lansing, no Michigan, tratou 325 casos de gripe num campo onde a taxa de mortalidade tinha sido de 20 %, enquanto que, com o seu tratamento homeopático, a taxa de mortalidade foi inferior a 3 %.
— W. H. Wilson, M.D., Chicago.
Tratei 1 000 casos de gripe. Tenho os registos que comprovam o meu trabalho. Não tive de lamentar nenhuma morte. Por favor, confiem plenamente na homeopatia e não confiem de todo no método escocês-irlandês-americano! (??)
— T. A. McCann, M.D., Dayton, Ohio.
Durante o mês de outubro de 1918, tratei 200 casos de gripe, tendo-se registado apenas um óbito.
— W. R. Andrews, M.D., Mannington, Virgínia Ocidental.
O Dr. M. I. Boger, de Portsmouth, N. H., tratou 331 casos, dos quais 2 resultaram em óbito.
Dr. G. G. Bascom, de Lake Wilson, Minnesota, 300 casos sem qualquer óbito.— E. C. Price, M.D., Baltimore.
A palavra «homeopatia» designa a terapia médica mais eficaz e mais útil neste ano de 1919.
— O. S. Haines, M.D., Filadélfia.
Tratei 267 casos de gripe. Não se registou nenhuma morte.
— A. B. Hawes, M.D., Bridgewater, Dakota do Sul.
Num mês, tratei 65 casos de gripe, com apenas um óbito, e tratava-se de um doente com tuberculose.
— F. C. Thornhill, M.D., Alma, Michigan.
Um dos principais farmacêuticos de Montreal disse ao Dr. T. A. McCann que tinham perdido 900 doentes com gripe. Quando este perguntou qual era o medicamento que mais tinham utilizado, ele respondeu que a aspirina era o medicamento mais utilizado. As prescrições indicavam tomar um comprimido de 250 mg a cada 3 horas, mas muitos tomaram o dobro a cada três horas. Não há nada a acrescentar.
Foram registados 76 casos no Hospital Pediátrico, sem qualquer caso de pneumonia nem óbito. A maioria dos casos foi tratada com Bryonia e Gelsemium, que parecem ter conseguido curá-los totalmente.
— J. G. Dillon, M.D., Fargo, Dakota do Norte.
De acordo com a minha experiência, o Gelsemium era quase sempre o primeiro remédio a considerar e revelava-se eficaz se fosse utilizado logo aos primeiros sintomas.
— E. B. Hooker, M.D., Hartford, Connecticut.
Deram-me uma caixa de 1000 comprimidos de aspirina, dos quais ainda me restam 994. Acho que usei cerca de meia dúzia. Não encontrei nenhuma indicação para o seu uso. Prescrevi apenas alguns remédios, quase sempre Bryonia e Gelsemium. Quase nunca tive casos de óbito quando era consultado em primeira instância, a não ser que o doente tivesse ido a uma farmácia e comprado Aspirina; nessa eventualidade, tinha de tratar um caso de pneumonia.
— J. P. Huff, M.D., Olive Branch, Kentucky.
A aspirina e outros derivados do alcatrão de carvão foram responsáveis por um grande número de mortes desnecessárias. A aspirina é o medicamento mais nocivo. Atrai pelo seu rápido efeito sedativo sobre a dor, um alívio que é enganador. Em vários casos, a aspirina enfraqueceu o coração, diminuiu as forças vitais, aumentou a mortalidade em casos pouco graves e prolongou a convalescença. Em todos os casos, complicou a sintomatologia e tornou muito mais difícil a escolha do remédio curativo. Aparentemente, a aspirina não trouxe qualquer cura e deveria ser proibida.
— Guy Beckly Stearns, M.D., Nova Iorque.
Foi pedido a cerca de mil médicos eclécticos que indicassem os remédios mais úteis no tratamento da gripe e das pneumonias. Mais de 75 % referiram o Aconit e a Bryonia no tratamento da pneumonia.
— Lloyd Brothers, Cincinnati.
Uma investigação experimental realizada no Laboratório de Higiene de Washington, D.C., não conseguiu demonstrar um papel ativo da vacinação no tratamento da pneumonia. Imagine uma admissão deste tipo se se tratasse dos nossos remédios comprovados, como Gelsemium, Rhus tox., Eupatorium, etc., cujas indicações são imutáveis, precisas, invariáveis e constantes.
— Homeopathic Recorder, outubro de 1920.
No Serviço de Saúde Pública do Novo México, o Veratrum viride, o Gelsemium e a Bryonia foram utilizados principalmente na população mexicana, com excelentes resultados no tratamento da gripe. Não se registou qualquer óbito durante o tratamento homeopático.
— C. E. Fisher, M.D., Chicago.
As razões pelas quais as crianças reagiram melhor do que os adultos durante a epidemia de gripe foram: em primeiro lugar, foram levadas ao médico mais cedo; em segundo lugar, não lhes tinham sido administrados «remédios seguros»; em terceiro lugar, não lhes tinham dado aspirina; em quarto lugar, tinham sido mantidos em repouso; e, em quinto lugar, tinham recebido o medicamento adequado e, por isso, tinham tido melhores hipóteses de recuperação.
— Dr. J. P. Cobb, Chicago.
Todos os doentes que perdi durante a epidemia de gripe tinham tomado aspirina por iniciativa própria antes de eu os examinar.
— W. P. Best, M.D., Indianápolis.
Há quem consiga resistir à aspirina, há quem consiga resistir à gripe, mas não há ninguém que consiga resistir às duas.
— Dr. Taylor, Filadélfia.
O Gelsemium não causa depressão cardíaca e é mais eficaz do que a aspirina e outros derivados de hidrocarbonetos em todas as formas de gripe.
— J. A. Munk, M.D., Los Angeles.
Foi recomendado a muitos doentes que tomassem aspirina como medida profilática contra a gripe e a pneumonia gripal. Uma mulher tomou 240 grãos em 48 horas (1,20 g). Foi hospitalizada com escarlatina devido a manchas eritematosas no corpo. Muitos dos doentes hospitalizados no Haynes Memorial tinham tomado aspirina, codeína, morfina e digitálica. Os responsáveis políticos felicitaram o nosso hospital pelo seu tratamento homeopático da gripe. Nem todos concordam, no entanto, mas em Boston considera-se que dispomos de um tratamento muito eficaz contra a gripe.
— Samuel Clement, M.D., Boston.
Durante a epidemia da gripe espanhola, quase todos os doentes que morreram devido à doença tinham tomado aspirina. Quase toda a gente acreditava na sua eficácia, pois aliviava a angústia e «não fazia mal nenhum». O resultado foi a morte de milhares de pessoas que poderiam ter sobrevivido se tivessem aceitado suportar algum desconforto durante um curto período de tempo. Morreram como moscas à volta de um prato de peixe, apesar de a «Ciência» ter feito tudo o que estava ao seu alcance para os «salvar».
— A. F. Stevens, M.D., St. Louis.
Tratámos mais de 300 casos de gripe entre os membros do «Student Army Training Corps», sem registar qualquer óbito. Gelsemium, Bryonia e Ferrum phosphoricum foram os remédios principais. Apenas os doentes que tinham tomado aspirina apresentaram uma convalescença prolongada com complicações pulmonares.
— C. B. Stouffer, M.D., Ann Arbor.
Entre os cerca de 150 casos tratados durante a epidemia de gripe, o Gelsemium e a Bryonia foram os principais remédios. Houve muito poucos casos de pneumonia; nenhum entre aqueles que tratei logo nos primeiros sintomas. Tive apenas um óbito, um homem de 60 anos que sofria de asma e que tinha sido trazido para o nosso clima do Minnesota no meio de um inverno muito frio, com uma pneumonia grave.
— Wm. E. Leonard, M.D., Minneapolis.
Tratei cerca de 50 casos de gripe, tive dois casos de pneumonia, um dos quais numa mulher grávida. Todos recuperaram. Remédios: Gelsemium, Bryonia e Rhus, sobretudo.
— Wm. Boericke, M.D., São Francisco.
Tratei mais de 100 casos de gripe e pneumonia; perdi dois doentes: um deles estava a tomar aspirina para uma pneumonia há uma semana antes de me consultar; o outro apresentava uma forma grave, com febre muito elevada desde o início. Remédios: Gelsemium, Eupatorium, Bryonia, etc.
— C. P. Bryant, M.D., Seattle.
Tratei cerca de 500 casos, muitos dos quais com pneumonia, e perdi dois doentes; nunca utilizei aspirina nem permiti que fosse utilizada. Os principais remédios utilizados foram Belladona, Gelsemium e Sticta, para os sintomas faríngeos, e Mercurius, Natrum muriaticum e Kali muriaticum.
— A. B. Palmer, M.D., Seattle.
É cansativo chegar ao fim da página, não é? Foi só para vos dar testemunhos à vontade, para que não se diga que não existem números, blá-blá, que mostrem que a homeopatia, blá-blá!!! 🙂 EB